domingo, 15 de março de 2009

Um dia pra esquecer...

Hoje acordei de mau humor... Também, pudera! Ontem pareceu que o mundo havia resolvido se vingar da minha existência.
Meu time, logo de manhã, perdeu para os reservas do rival. Mas até aí, tudo bem, meu filho menor até parou de chorar quando está dormindo... agora só chora acordado.
Ligaram da Receita Federal. Caí na malha fina. Já tinha até gasto os dois mil reais que receberia, agora terei de pagar três. Meu limite no banco, que há muito tempo era vermelho, foi cortado.
E essa maldita gastrite! Chego a rolar de dor. Deve ser essa a causa das aftas que surgiram e junto à cárie que chega pulsar, nem dá vontade de abrir a boca. Resolvo ligar para um dentista e perguntar sobre o que poderia aliviar a dor – telefone mudo, foi cortado. Procuro o celular e minha mulher diz que foi assaltada e levaram o aparelho junto com sua bolsa. Detalhe: na bolsa estava o dinheiro para pagar as prestações que estavam atrasadas (todas as oito), bem como para quitar as contas de água e luz.
Pelo menos acertei no jogo do bicho. Trinta reais na cabeça deve dar uns bons trocados... cadê o canhoto? Ah, tá na bermuda cinza. Vou procurar e só acho os farelos. Minha mulher lavou roupa e não olhou os bolsos. É, pior que não acertar é a certar e não ganhar.
Que dor de cabeça!
Minha irmã chega e conta que aquela nossa tia rica morreu há dois meses. Só que surgiu um filho dela que ninguém conhecia e herdou tudo. Já contávamos certo que dividiríamos a herança quando isso acontecesse só que o tal filho, além de levar a grana, não pagou a funerária...sobrou pra nós dois.
Dizem que beber faz a gente esquecer os problemas. Vou procurar dinheiro e só encontro algumas moedas, mas ainda dá pra duas cervejas. Peço pra minha filha de seis anos ir buscar. Na volta ela tropeça, quebra as garrafas e ainda corta a mão. Três pontos. Depois de levá-la ao pronto socorro e deixá-la em casa, vou dar uma voltinha pra espairecer. Mas em cinco minutos encontro três amigos aos quais devo dinheiro. Fico tão sem graça que me dá dor de barriga.
Volto correndo pra casa e chego depressa ao ponto do meu cachorro não me reconhecer e morder minha perna. Com raiva, tento dar um chute nele e acabo acertando um vaso de flores que minha mulher comprou há dois dias e eu nem paguei ainda. Ela, furiosa, fica uns dez minutos expondo tudo de errado que eu costumo fazer.
Finalmente vou ao banheiro. Quando saio, vejo que o cachorro, não contente com a mordida que me deu, fez xixi no pé do sofá e comeu a ponta do meu tênis novo que comprei em seis vezes e usei uma só. Que criatura! Nesse instante, nossa vizinha da frente chega com um humor pior que o meu e reclama que, pela manhã, o nosso cachorro (é, ele outra vez!) pulou o muro de sua casa, entrou na cozinha e levou o frango que ela havia tirado do forno. Apesar de dizer que pagaria, ela fica longos minutos tecendo comentários sobre os defeitos do cão.
Enfim, chegam alguns amigos convidando pra jogar futebol. Mas eu não jogo futebol – tento argumentar. Só porque teu time perdeu, hahaha! – sacaneia um deles. Não vai! – grita minha mulher lá da cozinha. Só de bravo, vou. Durante o jogo, na primeira vez que toco na bola, um colega me acerta um carrinho e detona com meu tornozelo que fica do tamanho de uma melancia. Volto pra casa amparado por dois companheiros e tenho de ouvir o natural ‘eu não disse?’.
Ligo a tv. A imagem tá horrível e sem cor, mas pelo menos Real Madrid e Milan estão jogando. Mas o narrador diz que os dois times já estão classificados pra próxima fase e jogam com os reservas. Nem um chute a gol. Tento enganar meu humor esboçando um sorriso e uma cãibra horrível toma conta de minha bochecha.
É, como diz um amigo meu, nada está tão ruim que não possa piorar.
Resolvo tirar um cochilo. Vou deitar, mas a cama está toda molhada pelo xixi que minha filha fez ali. Viro o colchão, está seco do outro lado. Deito e me espeto em uma agulha que minha mulher havia deixado lá.
Começo a suspeitar que hoje não é o meu dia.
Que fome! Lembro agora que não almocei. O que você fez pro almoço? – pergunto. Achei que tu não irias almoçar e fiz uma sopinha de chuchu pra eu e as crianças. – responde minha mulher. Argh! Melhor procurar outra coisa. Nada. Acho que vou tomar um café com aquele pedaço de pão que vi sobre a pia, é só tirar o bolor com uma faca. Mas na hora de adoçar o café eu me engano e tasco sal – os dois potes são iguais. Minha filha, compadecida comigo, me oferece um pedaço de seu pirulito de cereja. Tinha que ser de cereja!!! Não, obrigado filhinha.
Minha dor de cabeça só piora. Tem remédio pra dor de cabeça? – pergunto. - Acho que ainda tem, tá na caixinha azul sobre a geladeira – diz ela. Que ótimo lugar pra guardar remédio! Pego a tal caixa e vejo que tem um vidro de xarope velho, um termômetro quebrado, um vidrinho com pastilhas marrons e um comprimido solto. Deve ser este... pego e tomo. - São os que estão dentro do vidrinho!- grita minha mulher lá de fora enquanto lixa seus garrões no tanque. Fico apreensivo e pergunto: e o que está solto? – Ah, é um laxante velho... pode pôr fora.
Ai minha cabeça. E esse dente que não pára de latejar.
- Paiêêêêêêê!!! – berra minha filha lá do quintal – Minha bola caiu do outro lado do muro.
E essa agora. Olho por sobre o muro e dou de cara com a minha vizinha de 52 anos tomando banho de sol ao lado de seu marido que lê jornal e, ao me ver, grita furioso: - era só o que me faltava! Um tarado bem no muro da minha casa!
- Peraí... eu? – tento falar.
- E por acaso tem outro tarado por aqui seu filho da... - o velho joga toda a sua coleção de palavrões pra cima de mim. Melhor voltar pra dentro de casa.
- O que foi? – quer saber minha mulher.
- O seu Gervásio achou que eu estava olhando a mulher dele tomar banho de sol e...
- O quê?!? Tu não tem vergonha na cara? – começa ela – Homem nenhum presta mesmo, a mãe é que estava certa... Onde se viu olhar aquela bruaca pelada...
- Peraí, ela não tava pelada, tava de biquíni e...
- Ah, então o boneco parou mesmo pra olhar. Me diz, e os detalhes do biquíni? Qual era mesmo a marca? Ah, não, esqueci, é melhor ficar olhando pra bunda linda dela, né?? Seu...
Desisto de tentar dialogar, às vezes não adianta. Após me ofender por uns dez minutos, ela resolve ir embora pra casa de sua mãe. Tento persuadi-la a ficar, mas ela acaba lembrando de mais uns desaforos que esquecera de dizer. Amanhã ela volta, digo a mim mesmo. De repente me fará bem ficar um pouco só. Enquanto pega suas coisas, vem a sessão do choro e ela sai com as crianças prometendo nunca mais voltar.
Silêncio finalmente. Largo o corpo no sofá e, no instante seguinte, uma pedra estilhaça o vidro da porta. É o filho do vizinho que, triunfante, ri que nem um louco escondido atrás de uma árvore. Recolho calmamente os cacos.
Vou ao portão e uma brisa gostosa sopra em meu rosto, aliviando um pouco o insuportável calor. Fecho os olhos, inspiro longamente e encho meus pulmões...de poeira. É uma tormenta de vento com terra. Tossindo como um tuberculoso, corro pra fechar as portas e janelas...um pouco tarde, o vento já encheu os móveis de pó e derrubou da estante uma bailarina de cristal que minha mulher havia ganho de sua avó ao completar quinze anos. Começa a chuva. Pelo menos vai amenizar o calor, penso eu. Mas daí, surgem as goteiras. Dezessete! Cinco delas no quarto e três na cama (todas do meu lado, claro!) Espalho baldes e panelas pela casa. Assim que começa a escurecer falta energia elétrica. A chuva pára. Procuro velas e não acho, acabo sentado no escuro sendo alvo de um enxame de ávidos mosquitos.
A luz volta. Resolvo tomar um banho...não tem água. Ai minha cabeça! E esse tornozelo continua me matando. Tinha que ser justo no pé em que tenho duas unhas encravadas!
Vou escutar uma música pra espairecer. A mulher levou todos os meus cd’s. Ah, ficou um embaixo da estante, é o da Enya! Enfim vou poder relaxar um pouco...só então percebo que o disco está detonado (meu filho o usou para lustrar o chão). Ligo o rádio – toca uma música tristíssima da Maria Bethânia - não, não quero chorar. Troco de estação – a Kelly Key tá cantando Baba Baby...ninguém merece. Tento a AM e o Trio Parada Dura, sem dó nenhuma, berra ‘as andorinhas voltaram’...desisto.
Melhor ir dormir logo e esquecer que esse dia existiu. Deito no chão (a cama continua molhada de água de um lado e xixi no outro). Fecho os olhos, relaxo o corpo, deixo a mente vagar...
Minha barriga faz um barulho horrível e o laxante, então, começa a fazer efeito...

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Evoluímos?

Vivemos em um mundo louco, estou rodeado de loucos ou afinal, eu é que sou insano?
Quando a gente acha que já viu de tudo, acontece algo inédito. Absurdamente inédito.
E o pior é que somos pressionados a pensar que tudo tende a mudar, é natural, e que tanta coisa que sequer chegamos a imaginar virará rotina logo, logo.
De que diabos estou falando? Putz, nem eu sei. Sou meio louco, lembram?
Mas vamos lá. Há menos de cem anos atrás, sem querer forçar um pleonasmo, éramos um século atrasados em relação a hoje. Que descoberta! – dirão alguns. Muita coisa mudou para melhor, mas proporcionalmente carece uma reflexão o fato de que outras tantas mudaram para pior. Exemplo? Consumo de drogas, pronto. Sou ignorante sobre a data aproximada de quando o homem começou a usar algum tipo de entorpecente, creio que milhares de anos. Mas só há poucas décadas se começou a matar pela droga. São gigantescas organizações criminosas pelo Brasil e mundo a fora que, iluminadas pelo brilho do dinheiro fácil, sujo e letal, tiram vidas direta e indiretamente todos os dias em tantos lugares. Isso parece normal? As pessoas não só consideram normal como não almejam forma alguma para extinguir de nosso meio esses insetos.
Outro exemplo de modernidade: Há cem anos, nos relacionamentos mais criteriosos o máximo que um pretendente podia fazer antes de casar era pegar na mão da moça. Não que eu concorde com isso, Deus o livre! Só que agora os adolescentes quase crianças fazem absolutamente tudo (tudo mesmo) e muitos pais, ainda criados com resquícios tradicionais daquela outra época, têm de aceitar as filhas trazerem os namorados para dormir em suas casas. Se não o fizerem serão taxados de ultrapassados, amebas jurássicas em extinção.
Colocar fogo em indigentes; babás surrando bebês que foram, confiantemente, colocados sob seus cuidados; viciados agredindo pessoas idosas por causa de dinheiro pra comprar sua droga; estupro e assassinato de crianças, algumas pelas próprias famílias... Por motivos impressionantemente fúteis, alguns monstros desequilibrados cometem todo o tipo de atrocidade. Lembram Hitler e suas experiências? Alguns fazem até pior. E nós vemos tudo isso na tv e dizemos: que horror! E nada muda, ou melhor, muda pra pior, pois mais coisas horríveis continuam a ocorrer que daqui a algum tempo irão se tornar rotina e banalidade em nosso cotidiano, onde ao invés de achar um horror, iremos apenas soluçar sem paciência: de novo!

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Sabidos

Desimporta comentar as frivolidades da vida?
Ignorar coisas corriqueiras por serem ou parecerem bobagem é sinal de sabedoria?
Algumas pessoas consideram-se muito inteligentes...na verdade, consideram-se muito mais do que são realmente.
Mas o grande problema não está em auto julgar-se um ser intelectual superior, e sim no fato de ignorar os que esses intelecto-pseudo-sábios consideram pobres burrinhos.
Pessoas normais, perfeitamente cônscias de suas habilidades mentais, ou mesmo conhecimento e dissernimento sobre diversos tipos de assunto, são mais agradáveis de se conviver do que aquelas que se consideram superiores.
Gente chata!
Fazem questão de falar sobre a pesquisa de um certo francês que ganhou o prêmio Nobel de química bio-diversitiva. Erguem o nariz ao citar os 25 benefícios que a análise psico-somática exerce sobre o comportamento humano. Conseguem falar horas e horas sobre a desburocratização das estatais. E ficam felizes ao tocarem em um assunto que todos desconhecem.
Particularmente, prefiro conversar com alguém que nem saiba em qual continente o Brasil fica.
Quem se considera sábio deveria ler a definição escrita há muito tempo:
“Sábio é aquele que sabe alguma coisa sobre tudo e tudo sobre alguma coisa . O mais sábio é aquele que estuda como se fosse viver eternamente e vive como se fosse morrer amanhã”.

domingo, 5 de outubro de 2008

AUTO-SOLIDÃO

'Nenhum homem é uma ilha'
Há muito tempo, quando ouvi essa frase pela primeira vez, confesso, não a compreendi. É claro, - pensei – nenhum homem é uma ilha assim como nenhum macaco é uma agulha! Lógico!
Quando amadurecemos, além do corpo, também a mentalidade, novas compreensões vão aos poucos nos invadindo a mente. Sentimentos, desejos, sensações e emoções tornam-se completamente claras ou pelo menos mais visíveis.
Homem nenhum pode ser uma ilha, porque ninguém pode isolar-se de tudo e de todos. A solidão ajuda na busca pela solução de alguns problemas, bem como para esquecer ou lembrar de algo ou alguém. Mas essa mesma solidão, quando prolongada, pode destruir o ego, a auto-estima, o amor próprio e com qualquer vestígio de humanidade em uma pessoa. Quem se isola em seu próprio eu, fatalmente constrói o esquecimento, mesmo sem perceber...
E não há maior tristeza que o esquecimento. Pouca coisa machuca tanto como ver um amigo, depois de anos, e ele não o reconhecer ou fingir que não o reconheceu.
Quando alguém que você considera especial, lhe esquece na comemoração de um momento também especial.
Quando você está triste e ninguém nota.
Quando o desespero lhe leva à loucura de caminhar em direção ao abismo e você sabe que não haverá ninguém para lhe segurar a mão.
Quando seu sorriso e alegria já não conseguem contagiar ninguém.
Quando apenas o sol lhe dá bom dia...
Ser esquecido é o pior castigo que o isolamento pode causar. E a vida, antes tão bela, com tanta magia e poesia... aos poucos perde seu encanto e deixa de ter sentido.
Não se isole, busque o outro! Engula seu orgulho e procure seus amigos, faça outros. Procure fazer uma auto-crítica construtiva buscando eliminar atitudes que lhe afaste dos demais.
A vida é uma obra de arte que não mostrará sua verdadeira beleza a quem resolver contemplá-la sozinho.

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

UM DIA VOCÊ APRENDE - SHAKESPEARE

Depois de um tempo você aprende que o sol queima se ficar exposto por muito tempo. E aprende que não importa o quanto você se importe, algumas pessoas simplesmente não se importam... E aceita que não importa quão boa seja uma pessoa, ela vai feri-lo de vez em quando e você precisa perdoá-la, por isso. / Aprende que falar pode aliviar dores emocionais. Descobre que se leva anos para se construir confiança e apenas segundos para destrui-la, e que você pode fazer coisas em um instante, das quais se arrependerá pelo resto da vida. / Depois de algum tempo você aprende a diferença, a sutil diferença entre dar a mão e acorrentar uma alma. E você aprende que amar não significa apoiar-se, e que companhia nem sempre significa segurança. E começa a aprender que beijos não são contratos e presentes não são promessas. E começa a aceitar suas derrotas com a cabeça erguida e olhos adiante, com a graça de um adulto e não com a tristeza de uma criança. E aprende a construir todas as suas estradas no hoje, porque o terreno do amanhã é incerto demais para os planos, e o futuro tem o costume de cair em meio ao vão.

terça-feira, 30 de setembro de 2008

- O ÚLTIMO PEDIDO DE UM CÃO -

Senhor meu dono,
Já faz muito tempo que cheguei, o senhor ainda lembra?
Eu, filhotinho inofensivo e indefeso, arrancado do seio de minha mãe (que nem sei quem era), vim choramingando e com medo, cumprir a missão de todo bom cão: proteger o seu dono.
Passou-se muito tempo, mas eu ainda lembro, até com certa graça, das palmadas que levei por não conseguir esconder meu medo de ficar só e, à noite, me pôr a chorar.
Após alguns dias, comecei a compreender o que eu era e o que se esperava de mim: um guardião!
O senhor brincava comigo, ria das minhas peraltices e eu fazia de tudo para diverti-lo.
Passei frio e fome, mas jamais lhe pedi nada além de um osso para saciar o meu voraz apetite.
Vigiei sua casa dia e noite, fielmente, e nunca me constrangi em lamber a mão, nos momentos de alegria, daquele que me açoitava em seus momentos de raiva.
Jamais lhe pedi nada, meu senhor... nem cama para dormir, nem comida saborosa, nem mesmo um pouco de carinho. O que recebi, e de bom grado, foi por sua vontade apenas.
Hoje, que a velhice se abateu sobre mim, pela primeira vez tenho algo a lhe pedir...
Sei que não tenho mais a mesma força; sei que não imponho mais tanto medo como em minha juventude; nem meu latido assusta tanto quanto antes, só a minha lealdade continua a mesma. Estou velho e alquebrado dos embates caninos que me meti ao longo de minha curta passagem por esta vida, mas gostaria de lhe pedir que não me largue à minha própria sorte, quando chegar-me a derradeira hora, para morrer como um cão sem dono.
Não estou lhe pedindo que trate de minhas enfermidades, nem que me reserve um funeral pomposo. Só quero morrer como o cão fiel que sempre fui: cuidando do quintal do meu dono.
Se minha caduquice e doença lhe causar alguma repulsa e a até mesmo minha presença já lhe for desagradável, mata-me tu mesmo, meu senhor! Prefiro morrer pelas mãos de meu dono, que ser abandonado para padecer sozinho.
Posso não ter o mesmo valor de antes, mas o que lhe peço é em memória aos bons momentos que passamos juntos, pelas alegrias compartilhadas e em nome da minha gratidão.
Leia em meus olhos, já enevoados pela idade, este último pedido e aceite-o, não como chantagem emocional, mas como o desejo de um amigo fiel que só quer ter a honra de morrer ao lado daquele ao qual dedicou sua vida inteira. Se for atendido, ela já terá valido a pena.
Seu amigo, o cão.

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

ESPERA

Espero que um dia
em outra avenida
distante da vida
reveja um olhar
À noite te vejo
te sinto e desejo
o gosto do beijo
em mim repousar
Lembranças de ontem
além do horizonte
acima dos montes
não se deixa esquecer
Culpados dementes
os vis tão descrentes
de almas morrentes
definham sofrer
Clareia uma chama
vagueia, inflama
quem ‘inda se ama
recria o brotar
Surge a esperança
se renova o sonhar
tal qual a criança
sorrindo pro mar
O mar que afogou
o sonho menino
traçou um destino
guardou todo o amor
E o amor...
que outrora findou
enfim retornou
pra jamais se acabar