terça-feira, 30 de setembro de 2008

- O ÚLTIMO PEDIDO DE UM CÃO -

Senhor meu dono,
Já faz muito tempo que cheguei, o senhor ainda lembra?
Eu, filhotinho inofensivo e indefeso, arrancado do seio de minha mãe (que nem sei quem era), vim choramingando e com medo, cumprir a missão de todo bom cão: proteger o seu dono.
Passou-se muito tempo, mas eu ainda lembro, até com certa graça, das palmadas que levei por não conseguir esconder meu medo de ficar só e, à noite, me pôr a chorar.
Após alguns dias, comecei a compreender o que eu era e o que se esperava de mim: um guardião!
O senhor brincava comigo, ria das minhas peraltices e eu fazia de tudo para diverti-lo.
Passei frio e fome, mas jamais lhe pedi nada além de um osso para saciar o meu voraz apetite.
Vigiei sua casa dia e noite, fielmente, e nunca me constrangi em lamber a mão, nos momentos de alegria, daquele que me açoitava em seus momentos de raiva.
Jamais lhe pedi nada, meu senhor... nem cama para dormir, nem comida saborosa, nem mesmo um pouco de carinho. O que recebi, e de bom grado, foi por sua vontade apenas.
Hoje, que a velhice se abateu sobre mim, pela primeira vez tenho algo a lhe pedir...
Sei que não tenho mais a mesma força; sei que não imponho mais tanto medo como em minha juventude; nem meu latido assusta tanto quanto antes, só a minha lealdade continua a mesma. Estou velho e alquebrado dos embates caninos que me meti ao longo de minha curta passagem por esta vida, mas gostaria de lhe pedir que não me largue à minha própria sorte, quando chegar-me a derradeira hora, para morrer como um cão sem dono.
Não estou lhe pedindo que trate de minhas enfermidades, nem que me reserve um funeral pomposo. Só quero morrer como o cão fiel que sempre fui: cuidando do quintal do meu dono.
Se minha caduquice e doença lhe causar alguma repulsa e a até mesmo minha presença já lhe for desagradável, mata-me tu mesmo, meu senhor! Prefiro morrer pelas mãos de meu dono, que ser abandonado para padecer sozinho.
Posso não ter o mesmo valor de antes, mas o que lhe peço é em memória aos bons momentos que passamos juntos, pelas alegrias compartilhadas e em nome da minha gratidão.
Leia em meus olhos, já enevoados pela idade, este último pedido e aceite-o, não como chantagem emocional, mas como o desejo de um amigo fiel que só quer ter a honra de morrer ao lado daquele ao qual dedicou sua vida inteira. Se for atendido, ela já terá valido a pena.
Seu amigo, o cão.

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

ESPERA

Espero que um dia
em outra avenida
distante da vida
reveja um olhar
À noite te vejo
te sinto e desejo
o gosto do beijo
em mim repousar
Lembranças de ontem
além do horizonte
acima dos montes
não se deixa esquecer
Culpados dementes
os vis tão descrentes
de almas morrentes
definham sofrer
Clareia uma chama
vagueia, inflama
quem ‘inda se ama
recria o brotar
Surge a esperança
se renova o sonhar
tal qual a criança
sorrindo pro mar
O mar que afogou
o sonho menino
traçou um destino
guardou todo o amor
E o amor...
que outrora findou
enfim retornou
pra jamais se acabar

domingo, 28 de setembro de 2008

Sensações de hoje...

É brabo!
Meu Imortal Tricolor quando joga contra esses times pequenos, da parte de baixo da tabela, joga mal... mas ser goleado, eu não esperava.
Mas quem disse que as coisas para o Grêmio são fáceis?
Eu, sinceramente, estava achando estranho ser líder e com alguns pontos interessantes de vantagem sobre o vice. As coisas para o Tricolor são e devem ser galgadas, conquistadas, peleadas e buscadas com suor e sangue.
Seguimos, portanto, em busca do título e só desistiremos depois do apito final da última partida.
Seguiremos copando e demosntrando que torcer por um time é fácil, mas fazer o que fazemos pelo GRÊMIO, isso não tem nada igual!!!!

sábado, 27 de setembro de 2008

Te quero (Pablo Neruda)

Não te quero senão porque te quero...
E de querer-te a não querer-te chego....
E de esperar-te quando não te espero...
Passa meu coração do frio ao fogo. ....
Te quero só porque a ti te quero,....
Te odeio sem fim, e odiando-te rogo,..
E a medida de meu amor viageiro...
É não ver-te e amar-te como um cego.
Talvez consumirá a luz de janeiro..
Seu raio cruel, meu coração inteiro,....
Roubando-me a chave do sossego. ...
Nesta história só eu morro....
E morrerei de amor porque te quero,.....
Porque te quero, amor, a ferro e a fogo...

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Desvairada Saudade...

Vão-se as horas, fogem-nos os momentos
De mãos afastadas, lábios intocados, paro no tempo
Ouço a brisa, lágrimas rolam e meu olhar perde-se no infinito
Lembranças suas tocam-me a alma e sinto-a tão
perto quanto meu próprio eu.
O pouco que passou me instiga, fere e me faz deseja-la mais que nunca...
Desejo teu sorriso, tua boca, teu íntimo
colado no meu ser, tatuagem que não se apaga
Transpiro teu suor, inspiro teu aroma
E adoço o sabor dos beijos que ainda me roçam a pele
No fluir do pensamento, desses minutos infindos
Espero teu chamado, mas não precisa me chamar!
Meu coração repousa em tua imagem
Numa ânsia serena do reencontro...
Foi-se mais um dia
Luzes deram lugar à quietude
E o meu amor confundiu-se a essa desvairada saudade

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

QUEM É RICO E QUEM É POBRE?

A certeza de que estamos levando uma vida feliz está nos fatos menores e mais comuns os quais, normalmente, passam despercebidos por nós. Riqueza, amores impossíveis, sucesso profissional meteórico e outros sonhos que se têm, nem sempre resumem em si a essência verdadeira da felicidade. Alguns podem até trazer alegrias, mas quem poderá tê-los todos?
Quem, nos dias de hoje, tem uma casa para morar, alimento, saúde, educação e segurança, tem mais que 75% da população do mundo, a qual não tem estas necessidades básicas satisfeitas. Pessoas são assassinadas diariamente, sofrem acidentes de trânsito, no trabalho, em casa, nascem com deformidades físicas, deficiência mental ou são acometidas de doenças incuráveis e degenerativas; têm de conviver com o dilema de filhos bandidos ou drogados; violência doméstica entre casais ou contra os próprios filhos; há quem perca tudo o que juntou em uma vida inteira de trabalho em um rápido e implacável incêndio, ou através de enchentes ou vendavais...
E existem pessoas que suportam mais de um desses ‘azares’ da vida e ainda encontram motivos para sorrir, sonhar e continuar lutando por um futuro melhor. Pessoas que descobrem nas dificuldades impostas pela vida, motivo para enfrentar de cabeça erguida, de peito aberto, todos os dissabores de seu cotidiano. Sabem tirar proveito dos raros momentos de alegria com que são brindadas, tirando lições dos obstáculos e não desistindo jamais.
Por outro lado, existem pessoas que pelos motivos mais ínfimos, acham que são os mais malogrados de sorte que há. Não é raro ter-se notícia de casos de suicídio devido a um amor perdido, uma desilusão amorosa, perda de um trabalho ou por causa de dívida. Ou ainda, pessoas desesperadas porque não conseguiram comprar aquele tênis, a camiseta para o namorado, aquele caderno de capa dura, o celular que tira foto...
Desafortunado é quem já perdeu a esperança. Quem só vê a vida preto e branco e não consegue encantar-se com mais nada. Pobres de espírito são aqueles que vivem como se já tivessem morrido e culpam ao mundo por seus fracassos pessoais, permanecendo de braços cruzados, espalhando seu mau humor por onde passam.Rico de verdade é quem, debaixo da ponte, consegue ver beleza no céu derramando raios sobre a cidade; quem consegue assoviar junto ao barulho do vento forte na janela; rica de espírito é a mãe que sorri ao ver seu filho com paralisia soltar a primeira gargalhada. Afortunados são todos aqueles que respondem com um sorriso largo à vida triste que lhes acena... quem consegue confiar em um Deus e sabe agradecer aquilo que tem, mesmo que, muitas vezes isso seja muito pouco ou praticamente nada.

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Divagar

Deixar o pensamento se libertar e voar ao léu
Dar asas à imaginação e permitir-se sonhar
Fugir da realidade por um instante,
deixando-o perpetuar-se no fluir do tempo
Ouvir palavras que não foram ditas,
músicas que não tocaram,
desejos que não se realizaram
Suspirar a saudade de um beijo,
um cheiro, um olhar...
Navegar nas ondas do ar, no espaço que o vento toma,
e não desejar retornar.
Brincar de ser feliz,
inventando sorrisos no coração de alguém
Divagar em silêncio, insuflando carências
Sentir dormentes os lábios pelos beijos que
se perderam nos braços da saudade
Caminhar pelo desconhecido e não temê-lo
Ferir o medo de sentir dor, mesmo quando essa dor
seja a última lembrança de um bem querer
Retornar devagar a si mesmo,
debatendo-se contra a realidade,
abrindo os olhos ainda úmidos
e implorar que o sonho não precise ser despertado...
que prossiga sua viagem à procura do amor verdadeiro

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Chorei...

Hoje chorei.
Tentei evitar, de todas as formas.
Evitar lembrar teu sorriso, teu rosto sério, indiferente, alegre.
Fugi da lembrança desse teu beijo tão doce que adoça meus lábios até agora...aqui...distante de ti.
Fingi que não te conheci.
Fingi que jamais te quis, que não te adorei
e suportei o mal gostoso que tu me fizeste.
Fugi pra longe da tua lembrança, mas só tua visão encontrei.
Quis ser mais forte e tentar te odiar,
para que meu ódio, talvez, te expulsasse de mim...em vão.
Chorei.
Sorri ao lembrar nossos momentos juntos, mas essa distância
oprimia meu peito e meu pranto calado pulsava forte.
Te quis, te queria, te quero a todo instante.
Quero pensar em outra coisa,
mas meu pensamento ficou escravo de ti.
Careço de tua presença.
Que estejas em mim, mesmo na distância e que me queira um pouco, embora muito pouco,
mas que eu perceba teu gesto num alento de quem padece solitário.
Não me queira... não ouso pedir-te.
Somente desoprima meu peito
e finja que notas minha presença discreta em tua vida.
Vida da qual sonhei um dia fazer parte...

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Eu parto

Levo comigo pedaços de alegria
Lembranças do perfume em um abraço
Sabor de beijos em êxtase
O carinho dos olhares, do toque...
Do sorriso sincero que aflora e, como na seda,
Desliza em meu coração.
Levo também a ausência tua
A dor de uma saudade que já doía
antes mesmo de eu partir
Mas deixo minha declaração dita, serenamente,
entre os afagos que trocamos
Deixo o brilho que fizeste reluzir em mim
Enquanto exististe em minhas noites, tardes,
manhãs e madrugadas inteiras...
Lá eu, como um ébrio desconsolado, te procurei
em cada rosto indiferente, rasgando meu peito
na ânsia de um reencontro
Levo algo teu, deixo algo meu...
Mas parto deixando um incontido desejo de não ter de ir embora.